segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

CONSTRUIR LUGARES - HUMANIZAR A PAISAGEM - Conferência promovida pela ADECAP


Por José Manuel Varela
arqueólogo, doutorando da FLUP

CONSTRUIR LUGARES - HUMANIZAR A PAISAGEM

Dia: 26 de Março de 2011
Local: Centro Unesco do Porto

R. José Falcão, 100
16 horas
Entrada livre

colabaração da Fundação Eng.º António de Almeida, a quem muito agradecemos.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Castanheiro do Vento



Apoie e contribua para este grupo do facebook (incluindo com fotos das escavações)

2011



Estão previstas (e em breve será confirmado/mais especificado o respectivo local/hora) duas conferências no Porto:


dia 26 de Fevereiro às 15 horas - por Joana Alves Ferreira, doutoranda da FLUP

dia 26 de Março (às 14,30 AG normal e eleitoral para o biénio 2011-2012) - por conferencista convidado, de que se aguarda confirmação.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Assembeia Geral de 4 de Dezembro de 2010

Conferência de Ana Vale sobre Castanheiro do Vento.



Aspecto da assistência.



ASSOCIAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA COOPERAÇÃO EM ARQUEOLOGIA PENINSULAR (ADECAP)


ASSEMBLEIA GERAL
4.12.2010



CONVOCATÓRIA



NOS TERMOS DOS ESTATUTOS DA ADECAP, CONVOCO UMA ASSEMBLEIA GERAL PARA O DIA 4.12.2010, nas instalações do Centro Unesco do Porto (R. José Falcão, 100 - Porto) ÀS 14,30 HORAS, COM A SEGUINTE

ORDEM DE TRABALHOS

1) Apresentação e votação do relatório de actividades e de contas do ano de 2009, e do parecer do Conselho Fiscal.
2) Assuntos correntes da ADECAP, e apresentação do volume 13, de 2010, da revista Journal of Iberian Archaeology.


A PRESIDENTE DA MESA DA ASSEMBLEIA GERAL


SUSANA OLIVEIRA JORGE

No caso de haver atrasos/faltas de sócios, a AG realizar-se-á às 15 h. com qualquer número de sócios presentes. Seguir-se-á a anunciada conferência de Ana Margarida Vale (doutoranda da FLUP), e a apresentação também da revista TAE 50. Estas últimas actividades são de entrada livre.

Agradece-se mais uma vez a prestimosa colaboração da Fundação Eng. António de Almeida, Porto.


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

LANÇAMENTO DO JIA 13, 2010



Lançamento do JIA 13, de 2010





NÃO SE ESQUEÇA POR FAVOR E SE PUDER COMPAREÇA
!


CENTRO UNESCO DO PORTO
R. JOSÉ FALCÃO, 100

SÁBADO 4 DE DEZEMBRO ÀS 15 HORAS.


ENTRADA LIVRE.


AJUDE A ADECAP A SOBREVIVER FAZENDO-SE SÓCIO/A OU ACTUALIZANDO AS SUAS QUOTAS!

DIVULGUE POR FAVOR ESTE BLOGUE...

OBRIGADOS!



sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Breve reflexão sobre alguns problemas das arquitecturas pré-históricas




10ª Mesa-redonda de Primavera

“Terra: Forma de Construir”

FLUP, Março 2006

publicado no livro homónimo, Lisboa, Ed. Argumentum, 2006

Breve reflexão sobre alguns problemas das

arquitecturas pré-históricas

por

Vítor Oliveira Jorge

DCTP-FLUP


Abstract: This brief text raises some questions about the so-called “prehistoric architectures” and their interpretation. It is based in the author’s experience of the study of some “passage gaves” and monumental precincts of the north of Portugal since 1978.




“Arquitecturas pré-históricas” é uma designação problemática, para não dizer imprópria, como objecto de reflexão, apenas usada aqui por comodidade.

Na verdade, o conceito de “pré-história” aponta para uma narrativa explicativa da continuidade/descontinuidade do ser humano, ou, se quisermos, da “cultura”, em relação à “natureza”, o que levanta muitas questões. A dicotomia natureza/cultura, por um lado (tão posta em causa por um número crescente de investigadores), e a “narrativa da continuidade” que a história pressupõe (criticada por Foucault e tantos outros autores), por outro, seriam temas intermináveis de debate.

Para simplificar (e passando também por cima da controvérsia em torno da noção de “sociedade”), por “sociedades pré-históricas” entendemos comunidades outras, que viviam na oralidade, baseadas na memória e numa certa estabilidade (mais aparente que real, mas de qualquer modo com ritmos de mudança muito diferentes dos nossos) escorada na atribuição de papéis sociais conforme o parentesco, o sexo, a idade, as relações de proximidade/vizinhança, e nas quais não havia um centro emissor de poder, formal, estabilizado, ou mesmo hereditário. Neste sentido, quase todas as comunidades e as formas de sociabilidade humanas foram “pré-históricas”.

Arquitectura é a “arte” de transformar o espaço numa rede de lugares e de trajectos significativos para as comunidades que os habitam ou neles circulam, através de materializações (por acrescentamento e/ou ablação) mais ou menos intensas. Se a entendermos isoladamente, como uma realidade trans-histórica, e portanto historicizável, divisível em “fases”/estilos (como em geral fazem as vulgares “histórias da arquitectura”), o conceito perde o interesse, ou cai no lugar-comum.

Introduzir “distinções” no espaço (arquitectura) e nos regimes de sociabilidade (estatutos dos indivíduos, grupos, entidades “políticas”) é uma questão evidentemente fundamental, na medida em que toda a “sociedade” é um sistema de distribuições de “poder” instaladas num espaço. Perdoe-se-me o esquematismo destas afirmações devido à brevidade do texto.

Em particular, as “arquitecturas pré-históricas” constituem portanto um campo apenas muito genericamente definido, com fronteiras esbatidas, que, visto à escala mundial, exigiria enciclopédico tratado. Está quase tudo por sistematizar a nova luz. Esse é um campo de curiosidade geral, ou de interesse, do autor destas linhas. O seu domínio “académico” de especialidade (tema de doutoramento e agregação na UP) são as arquitecturas pré-históricas do Norte de Portugal durante o IV, III e II milénios antes de Cristo.

Mas, mesmo aí, uma restrição se impõe: a sua base de experiência (que em arqueologia é um misto de prospecção e de escavação) é, apesar de todo o esforço, e dos trinta anos transcorridos, muito restrita: trabalho no Campo Arqueológico da Serra da Aboboreira (distrito do Porto) entre 1978 e 1990; investigações pontuais em Castro Laboreiro, Melgaço (distrito de Viana do Castelo) (de 1992 a 1994); e co-direcção das escavações de uma colina monumentalizada, em curso, desde 1998 (Castanheiro do Vento, Vila Nova de Foz Côa, distrito da Guarda). Paralelamente, o autor pôde participar de forma mais ou menos exaustiva em trabalhos de outros colegas, nomeadamente de Susana Oliveira Jorge (DCTP-FLUP), desde os anos 80, principalmente na própria Serra da Abororeira, nas regiões de Chaves e Vila Pouca de Aguiar (distrito de Vila Real) e no sítio de Castelo Velho de Freixo de Numão, em Foz Côa.

Essas experiências, unidas a 33 anos de docência e estudo, e a visitas a sítios arqueológicos estrangeiros, permitem talvez formular algumas questões (e o modo da questionação tem sido o preferido pelo autor, interessado mais pelo que não sabe do que pelo que já sabe) que eventualmente interessem a arqueólogos e arquitectos, cujo trabalho interdisciplinar tanto se imporia. São simples notas, escritas ao correr do teclado e do raciocínio, no intervalo de escavações.

Algumas tem já sido afloradas em trabalhos anteriores, nomeadamente em livros, onde se pode encontrar uma bibliografia mais exaustiva (*). Aqui irão ser brevissimamente expostas sob a forma de esquema, ou conjunto de tópicos. O leitor dará o devido desconto ao esquematismo e carácter por vezes assertivo próprios de um tal esquema, que num trabalho maior se diluiriam. Por outro lado, muito do que hoje sabemos é apresentado sob a forma negativa, ou seja, a extensão do nosso conhecimento procede também aqui por descarte, por ablação (eliminação do inverosímil), e não por acumulação ou acrescento, no sentido positivista, como se se tratasse de juntar as peças de um “puzzle” (nostalgia infantil da totalidade).

- a arquitectura pré-histórica não partia de um esquema, programa, ou projecto “feito” ou concebido primeiro no papel ou na mente. Construir não era “erigir para fazer lá coisas”. Construir (incluindo o destruir o o abandonar) era uma extensão de outras actividades, uma forma, entre muitas, de dar sentido, orientação, à acção colectiva;

- construir não era domesticar uma suposta natureza externa, era procurar diversificar nichos dentro dessa “natureza” (conceito nosso) onde as sociabilidades se exercessem e adquirissem um mínimo de estabilidade que permitisse a sua reprodução e a própria sobrevivência;

- construir não era fazer só de uma vez um edifício inteiro, mas ir fazendo; isso não significa que certas construções não conhecessem fases de maior actividade, seguidas de outras fases de certa “paragem”, tanto ao nível do ano, como ao longo de uma vida humana, como trans-geracionalmente;

- este problema das “fases” de estabilização física dos lugares (períodos em que aí se não exercia tanta actividade transformadora à escala do sítio) “versus” a de momentos de maior “input” de energia/esforço/acção concertada é dos mais interessantes e difíceis que a arqueologia tem de resolver;

- construir não era utilizar inertes providos de qualidades físicas para os incorporar em novas estruturas. Construir (como noutras acções) era transformar: ir buscar a muitos lados “coisas” (pedras, argilas, água, madeiras, ramos, artefactos portáteis, etc.) prenhes de conotações;

- Construir era mudar a relação espacial e estrutural das coisas: era unir num espaço o que estava disperso por muitos espaços; era escolher de uma grande diversidade de opções; era essencialmente um modo de viver como comunidade;

- a lei do menor esforço, da utilização de materiais próximos, da “pura funcionalidade” (ideias do presente) são ecrãs que não nos permitem ver como estas comunidades poderiam conceptualizar o espaço e viver imersas nele, nas suas variadíssimas qualidades disponíveis para a acção humana;

- por “qualidades” entende-se aqui um misto do que hoje denominamos funcional e do que designamos simbólico. Todo o universo humano é constituído por qualidades, quer dizer, características das matérias, que iam desde a a sua resistência, formas de interagir com elas, tacto, cheiro, peso, etc. Estamos a falar de um universo conotativo (e não meramente denotativo), onde tudo são signos, cada coisa aponta para outras e insere-se num sistema de significações;

- este sistema de significações não é um elemento a “priori”, mas um dado negociado permanentemente. e portanto plástico, se bem que podendo ser temporariamente estabilizado por “tradições”. As tradições (traduzidas ao nível da arquitectura por “estilos”, por exemplo) são sempre uma forma de os grupos se entenderem sobre o que não vai mudar por um tempo, são uma forma de tentar estancar o tempo; mas como sabemos as tradições mudam e criam–se, sedimentando-se por vezes com certa rapidez;

- construir uma habitação ou um abrigo teria de ser diferente de construir um espaço destinado a ter uma conotação mais abrangente ou colectiva. Nesse sentido, as chamadas necrópoles megalíticas, os recintos liticos, os sítios delimitados por fossos e/ou muros, as colinas monumentalizadas (como Castanheiro do Vento), etc., seriam uma forma das comunidades, pela acção concertada e sujeita a formas de poder difuso e lideranças/obediências (estatutos) incorporados, se construírem e desconstruirem a si próprias;

- a monumentalidade, a padronização nas formas, a aceitação colectiva de “normas” podiam ir a par com formas de liderança e com diferenças de estatuto ainda relativamente tênues;

- O não-dito e o subentendido são sempre mais importantes do que o verbalizado ou expresso; e aqui estamos perante expressões de uma prática que se reproduzia a si mesma pela acção no mundo real;

- em Castanheiro do Vento, por exemplo, observamos como havia regularidades no sistema de deposição das coisas, no entramado que a arquitectura constituía, e que não era necessariamente para ser visto, muito pelo contrário;

- notamos regularidades adentro desse sítio, que em certos casos confirmam as observadas em Castelo Velho, noutros as completam. Por exemplo: estas colinas monumentalizadas eram providas de redutos centrais mais elevados, rodeados de anéis concêntricos (o que também se observa em sítios da Estremadura portuguesa, do Sul de Espanha, etc.);

- A densa acumulação de estruturas menores nos “espaços livres” deixa adivinhar quase um sistema de “favos”, ou aglomerações de volumes, com uma infinidade de circuitos possíveis pelo meio, que tanto se podiam fazer como desfazer, dada a facilidade com que os embasamentos de xisto e as superestruturas de argila seriam susceptíveis de serem remodelados;

- a importância dos limiares não pode ser esquecida. Se esses limiares, ou barreiras (muros) continham células (à maneira das câmaras dos dólmens de corredor de câmaras múltiplas), a que chamamos convencionalmente “bastiões”, estes estabeleciam a possibilidade de vincar a importância desses limiares, associando-os à deposição de coisas no seu interior;

- claro que as passagens também seriam importantes limiares, quer abertas, quer fechadas, tanto mais que a chamada por nós paisagem estaria em parte invisível no interior dos recintos, tornando “críticos” os pontos de observação;

- os “bastiões” assumiam assim (como tudo nestes sítios, aliás...) uma polivalência notória. Vistos de fora, eram protuberâncias dos muros, observáveis de longe, espaçadamente distribuídas. Identificavam um “estilo de construir”, provavelmente com os seus telhados cónicos contrastando com a linearidade e carácter plano do topo dos muros. Observados (vividos) de dentro, seriam câmaras, ou “cápsulas” protegidas, que continham coisas, as quais estavam cuidadosamente ligadas à trama geral do sítio, das comunidades que permanentemente o fabricavam (fazendo elas mesmas parte dele pela sua presença física);

- não é de descartar que as várias fracções da comunidade que contribuíam para a manutenção das acções nestes lugares especiais estivessem ligadas a partes dele, e nomeadamente que a circulação de coisas no interior dos recintos fizesse parte de um complexo agenciamento/negociação de estatutos, quer dizer, de identidades e de diferenças;

- a maior parte do que se encontra nestes complexos monumentais foi trazida de fora (argila, água, ramos, etc.) e, mesmo ao nível dos objectos portáteis (vasos, objectos de pedra polida, elementos de moinhos manuais em granito, etc.) muitos ocorrem já “inutilizados” (para usar uma linguagem actual), ou seja, em posição secundária;

- é muito verosímil a hipótese de que tais elementos viessem de pontos diferentes do território e pudessem ser acoplados nestes complexos como forma de simbolizar (de fixar temporariamente pela acção) o próprio colectivo, se não mesmo a realidade do cosmos;

- isso, a acontecer, significava que tal colectivo estava numa fase de afirmação, de constituição identitária, ou seja, que se fabricava como ficção necessária à sobrevivência no próprio acto de permanentemente modelar e remodelar os materiais e os espaços;

- a padronização, que se nota em Castanheiro do Vento nos mais pequenos elementos, desde as pedras/lajes em cunha (por vezes muito pequenas) colocadas junto aos embasamentos, até aos grandes fragmentos cerâmicos aí insertos, ou a inclusão de percutores em quartzo, aos milhares, nos interstícios dos muretes, etc., revela uma vontade de ordem, de regularidade;

- essa ordem, aliás extensiva a cores e texturas das pedras usadas nos contrafortes em embasamentos, e dos artefactos portáteis, como por exemplo pequenas placas afeiçoadas intencionalmente, etc., etc., mostra uma rica cosmovisão, cheia de conotações, onde o diálogo dos seres humanos com o mundo seria constante;

- talvez que estes sítios fossem operadores desse diálogo a uma escala colectiva, e portanto elementos constitutivos de uma vivência comunitária que permitisse a negociação entre indivíduos, grupos, comunidades, à escala regional e trans-regional;

- é indubitável a existência de elites e a capacidade de estabelecer contactos a distância, articulando vastas regiões;

- resta saber, entre muitas coisas, como se relacionavam estas “cabeças de territórios” com os grandes acidentes geomorfológicos. Seriam estes últimos que marcariam os limites de “territórios” (conjunto de colinas de que o alto da Senhora do Viso, para leste de S. João da Pesqueira, seria o ponto culminante, por exemplo), ou antes, o seu centro? Ou estaremos de novo a entrar num campo perigoso de dicotomias, sendo que as fronteiras entre populações eram difusas?

- Quase tudo está por saber, neste ramo do conhecimento como em qualquer outro. Resta-nos conviver com esse maravilhoso desconhecimento, substituindo o regime do dogma pelo regime da questionação, e o sistema do indivíduo iluminado pelo da construção colectiva, pela aprendizagem em comum, que dê também lugar aos contributos individuais. Repetindo nos sítios pré-históricos o mesmo problema de outrora: a luta constante pelo estatuto, pela identidade e pela diferença, pela distinção.

Porto, 23.7.06

(*) Ver, por exemplo:

Projectar o Passado: Ensaios sobre Arqueologia e Pré-história (Lisboa, Ed. Presença, 1987); Arqueologia em Construção: Ensaios (Lisboa, Ed. Presença, 1990); Arqueologia, Património e Cultura (Lisboa, Inst. Piaget, 2000); Olhar o Mundo como Arqueólogo (Coimbra, Quarteto, 2003); A Irrequietude das Pedras. Reflexões e Experiências de um Arqueólogo (Porto, Afrontamento, 2003); Vitrinas Muito Iluminadas. Interpelações de um Arqueólogo à Realidade que o Rodeia (Porto, Campo das Letras, 2005); Fragmentos, Memórias, Incisões. Novos Contributos para Pensar a Arqueologia como um Domínio da Cultura (Lisboa, Colibri/IELT, 2006). Ver ainda, por exemplo, Jorge, S. O., O Passado é Redondo. Dialogando com os Sentidos dos Primeiros Recintos Monumentais, Porto, Afrontamento, 2005, e Jorge, V. O. et al. (eds), Approaching “Prehistoric and Protohistoric Architectures” of Europe from a “Dwelling Perspective”, Porto, ADECAP, 2006.

Colloque : La Préhistoire des autres à Paris




Colloque : La Préhistoire des autres

Comment l’archéologie et l’anthropologie abordent le passé des sociétés non occidentales


Publié le 25 novembre 2010 ·

Colloque international organisé par l’Inrap et le musée du quai Branly mardi 18 et mercredi 19 janvier 2011.
Programme en cours de rédaction.
Comment l’anthropologie prend-elle en compte le passé des sociétés dites « tribales » qu’elle étudie ? Comment ces sociétés se représentent-elles leur passé et comment l’archéologie peut-elle leur apporter une profondeur historique ? Quel est l’apport de l’archéologie à la connaissance de ces sociétés souvent appréhendées de manière intemporelle ? Dans quelle perspective historique et archéologique replacer ces sociétés ? Comment, en retour, l’anthropologie et l’archéologie des sociétés non européennes permettent-elles de donner des perspectives renouvelées à l’archéologie « occidentale » ?
Associant archéologues et anthropologues travaillant sur des cultures non occidentales, ce colloque présentera les avancées récentes dans le champ de la recherche, en mettant l’accent sur la Préhistoire et la Protohistoire non occidentale. Synthèses générales et études de cas permettront de faire le point sur la diversité des domaines et des zones géographiques abordées.

Théâtre Claude Lévi-Strauss
Accès libre dans la limite des places disponibles
Mardi 18 janvier 2011
9h30
Ouverture
Stéphane Martin, musée du quai Branly
Jean-Paul Jacob, Inrap

Archéologie et anthropologie sociale
Dans la tradition anglo-saxonne, l’archéologie est un des champs de l’anthropologie tandis qu’en France elle a historiquement partie liée avec l’histoire et l’histoire de l’art. Au-delà des traditions disciplinaires, ces différentes affinités sont autant de sources d’analyse et d’interprétation complémentaires pour saisir la « Préhistoire des autres ».
Séance présidée par Anne-Christine Taylor, musée du quai Branly

10h
La Préhistoire des autres : du déni au défi
Alain Testart, cnrs, Laboratoire d’anthropologie sociale

10h30
Seuls les singes ont une « nature humaine »
Marshall Sahlins, The University of Chicago

11h
Imaginaire, symbolique et institutions
Maurice Godelier, cnrs

11h30
Lascaux ou la naissance de l’art « non occidental »
Margaret Wright Conkey, Berkeley University of Califronia

12h
Traditions céramiques et identités sociales en Afrique : une autre histoire ou simplement de l’histoire ?
Olivier Gosselain, Université libre de Bruxelles

12h30
Discussion

Les sociétés dans leur environnement
Source de gibier et de matières premières pour les chasseurs-cueilleurs, l’environnement naturel assure une certaine stabilité des populations. Avec la domestication des plantes et des animaux, avec la sédentarisation et l’urbanisation, l’exploitation de l’environnement s’intensifie, mais aussi les risques et les perturbations.
Séance présidée par Danièle Lavallée, cnrs

14h30
La co-évolution homme-environnement
Sander Van der Leuuw, Arizona State University, Tempe

15h
L’agriculture a-t-elle eu un rôle important dans l’organisation sociale de l’Amazonie ?
Eduardo Góes Neves, Universidade de São Paulo

15h30
Little Foot à Sterkfontein (Afrique du Sud) : géomorphologie d’un « chasseur chassé »
Laurent Bruxelles, Inrap

16h
Les premiers ensembles de céramique de Saint-Louis sur le bas Maroni en Guyane française
Martijn Van den Bel, Inrap
16h30
Usages des coquillages dans les sociétés précolombiennes des Petites Antilles : éléments de systèmes techniques, sociaux et culturels
Nathalie Serrand, Inrap, cnrs umr7209

17h
La figure atemporelle du « nomade des steppes » en Asie intérieure
Carole Ferret, cnrs, Laboratoire d’anthropologie sociale

17h30
Discussion
Mercredi 19 janvier
Les sociétés et leurs objets
Longtemps considéré comme simple marqueur chronologique ou indice de « progrès », la culture matérielle a pris depuis une trentaine d’années une place centrale dans les disciplines anthropologiques et archéologiques. En s’appuyant sur l’étude des chaînes opératoires, la culture matérielle permet d’accéder aux dimensions technologiques, économiques et sociales du passé.
Séance présidée par Pascal Depaepe, Inrap

9h30
Pincevent entre archéologie et anthropologie
Claudine Karlin, cnrs

10h
La percussion tendre organique dans les industries acheuléennes en Afrique de l’Est
Sophie Clément, Inrap, Université Paris ouest Nanterre, umr7055

10h30
Les industries lithiques de Blombos (Afrique du Sud) : apports de l’expérimentation à l’histoire des techniques.
Vincent Mourre, Inrap, Laboratoire traces, umr 5608

11h
Comprendre les mégalithes de Sénégambie : généalogie des modèles explicatifs
Augustin Holl, Field Museum of Natural History, Chicago

11h30
L’unification culturelle de la vallée du Nil au IVe millénaire
Nathalie Buchez, Inrap, Laboratoire traces, umr 5608

12h
La culture matérielle des sites néolithiques et protohistoriques en contexte dunaire au Sénégal
Sandrine Deschamps, Inrap, cnrs umr 7041


L’idéel et le matériel
Avec leurs pratiques funéraires et leurs festins, mais aussi leurs techniques agricoles et leurs architectures, les groupes humains intègrent leurs activités symboliques dans leur quotidien. Pouvoir, cohésion, différences, identité… s’expriment à la fois dans les dimensions matérielles et idéelles du vécu des sociétés passés et présentes.
Séance présidée par Maurice Godelier, cnrs

14h30
Des objets pour penser l’indicible. La nécessaire convergence des théories de la culture matérielle.
Pierre Lemonnier, cnrs-université de Provence

15h
Pratiques funéraires dans les sociétés agricoles néolithiques au Levant
Fanny Bocquentin, cnrs, et Nicolas Samuelian, Inrap

15h30
Culture matérielle et objets-symboles : la question du nomadisme dans les steppes mongoles aux environs de notre ère
Hélène Martin, Inrap et Guilhem André, musée Guimet

16h
Pratiques funéraires des Chachapoyas dans les Andes péruviennes
Sonia Guillén, Pontificia Universidad Católica del Perú, Lima, et museo Mallqui, Leymebamba,

16h30
Un sanctuaire marin de l’Arabie néolithique
Vincent Charpentier, Inrap et Sophie Mery, cnrs

17h
Igname décorées des Nyamikum Abelam de Papouasie-Nouvelle-Guinée : Chaîne opératoire d’un « objet social total »
Ludovic Coupaye, University College of London

17h30
Conclusion
Michaël Rowlands, University College of London

18h
Discussion
Programmation
Anne-Christine Taylor, musée du quai Branly
Paul Salmona et Nathan Schlanger, Inrap

En partenariat avec Sciences et Avenir, Le Journal des Arts et Le Monde


Source: liste de discussion Archport (envoyée par F. S. Lemos)

Archaeology under threat in UK








Archaeology under threat in UK

'Perfect storm' of proposed cuts throws field into crisis.

Matt Ford

UK archaeologists are facing a wave of cuts that they say will lead to a loss of skills and take the teaching of the subject "back to the 1950s".

To cut its national budget deficit, the UK government has launched an austerity programme that will see research funding stay static for the next four years (see 'UK scientists celebrate budget reprieve' ). But archaeology is expected to be hit particularly hard, because the subject depends on a combination of public institutions run by several different government departments that are all seeing simultaneous budget reductions. "It seems like a perfect storm of factors is coming together," says Mike Heyworth, director of the Council for British Archaeology, an educational non-governmental organization.

Although precise details of where the axe will fall are still emerging, the trend is already clear. At least 200 jobs will go at English Heritage, the government-funded body charged with managing the historic environment.

English Heritage receives about £130 million (US$205 million) per year in government funding, but this will be cut by 32% over the next four years, greater than the 24% savings demanded of its parent body, the government's Department of Culture, Media and Sport (DCMS). As a consequence, new archaeological grants will be cut by a third.

"The cut to English Heritage's grant from government will be exceptionally challenging to manage after years of funding decline," said Kay Andrews, chair of English Heritage. "It will require us to make some tough decisions."
In ruins
Museums will also face a squeeze from both local and national government. The DCMS has announced that it aims to transfer responsibility for the department's non-national museums to "other bodies". Four museums in the county of Hampshire are now to be run by volunteers, and Grantham Museum and Stamford Museum in Lincolnshire are to close. The Federation of Archaeological Managers and Employers has warned that in many parts of the country, there is now no museum space to store and preserve important finds uncovered by archaeological teams.

“There is a real danger we will start to get only students from wealthy backgrounds applying, and that will take us back to the situation in the 1950s.”
Some counties are expected to lose their archaeological officer, the main adviser on archaeological matters involved in planning building work, prompting fears that sites will be destroyed by developers without being recorded.

At the University of Bristol, the department of archaeology is facing the loss of 4 out of a total of 16 staff posts, despite its high profile, having been closely involved in the popular Channel 4 TV show Time Team, as well as the BBC2 seriesCoast.

Some university field units, such as the University of Manchester Archaeological Unit, have already closed. "This will affect universities' ability to dig," says Chris Cumberpatch, vice-chairman of Rescue — the British Archaeological Trust, an organization trying to map the effect of the cuts as they emerge.
Only for the rich
In addition, the proposed government increase in university fees means that all students will now have to pay £6,000–9,000 per year to study. "Archaeology departments will have to charge at least £7,000 to stand still," says Anthony Harding, an archaeologist from the University of Exeter and chair of the archaeology section of the British Academy, Britain's national academy for the humanities and social sciences. "There is a real danger we will start to get only students from wealthy backgrounds applying, and that will take us back to the situation in the 1950s."

As yet, the British Academy itself has not had its funding cut, and is in discussion with its parent body, the Department for Business, Innovation and Skills, about its share of the overall research budget, says Robin Jackson, the academy's chief executive.

But according to Harding, the academy has already axed its Small Research Grant scheme, which may affect Britain's capacity to work overseas. "Archaeologists typically used this to set up international collaborations," he says. "So that alone will cause a big decline in archaeological research of all kinds."

"I am very disturbed to hear about the cuts," says Valerii Kavruk, director of the Museum of Eastern Carpathians, Sfântu Gheorghe, Romania. "For some years I have had a collaboration with British scholars funded by small grants from the British Academy and using students from British universities. Such projects will have great difficulty taking off in the future."




Although the cuts are intended to save money, Heyworth says that they could lose the country a valuable source of revenue. "We are facing a huge loss to national wealth because the government is ignoring what heritage contributes to tourism," says Heyworth. According to the Anholt-GfK Roper Nation Brands Index, which assesses and ranks the reputation of different countries, potential visitors to Britain rank museums as their fourth favourite activity out of 32 possibilities.

Toby Sergeant, a spokesman for the DCMS says: "These are tough times but we hope that the cuts will not impact too much on frontline services."


Source: Archport list
(sent by F.S. Lemos)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Para memória- Seminário sobre Tim Ingold

ADECAP
Associação para o Desenvolvimento da Cooperação em Arqueologia Peninsular
Porto, Portugal

SEMINÁRIO DE REFLEXÃO INTERDISCIPLINAR

2004

TIM INGOLD : PERCEPÇÃO E MEIO

Porto, 20 e 21 de Dezembro de 2004
10-13 h; 15-19 h.
(início das férias escolares de Natal)





Considerando:

1º Que a obra do antropólogo britânico Tim Ingold (Univ. de Aberdeen) é de uma extrema importância para o campo das ciências sociais e humanas e não só, abraçando numa síntese de clareza invulgar a antropologia social (ou cultural), a psicologia ecológica, a biologia do desenvolvimento e a fenomenologia;
2º Que esse autor se deslocará a Portugal (Porto) em Maio de 2005, a convite da Universidade do Porto (DCTP-FLUP), e que esse momento marcará uma oportunidade excepcional de conhecer melhor o autor e a obra, havendo toda a vantagem em algumas pessoas, no mínimo, e das mais diferentes áreas do saber, se prepararem para participar frutuosamente nesse diálogo;
3º Que é no livro “The Perception of the Environment . Essays in Livelihood, Dwelling and Skill”, London and New York, Routledge, 2000 (ISBN –paperback – 0-415-22831-X) que essa obra culmina, de forma a torná-lo um livro de importância excepcional, destinado a ser uma das mais influentes bases de trabalho das próximas décadas, como o foi “La Pensée Sauvage” de Lévi-Strauss, ou as obras de Leroi-Gourhan, “Le Geste et la Parole” e “Évolution et Techniques”, nos anos sessenta do séc. XX;
4º Que faltam espaços de reflexão aprofundada interdisciplinar em Portugal sobre o movimento científico contemporâneo, que fujam da lógica do espectáculo/mercado e que contribuam para produzir reais sinergias entre temáticas transversais,

Propõe-se:

- a realização de um primeiro seminário relativamente informal (mesa-redonda) a que damos o nome de Tim Ingold: Percepção e Meio (em referência àquele livro e seu autor), inteiramente baseado no mesmo livro;
- tal seminário será aberto a 23 intervenientes, nacionais ou estrangeiros, que dominem o português (língua a utilizar no seminário), tantas quantos os capítulos daquele livro, e será coordenado pelo signatário, que orientará os trabalhos;
- o perfil científico desses intervenientes – psicólogos, ambientalistas, filósofos, antropólogos, sociólogos, geógrafos, arqueólogos, historiadores, especialistas das ciências da informação e da comunicação, etologistas, biólogos, etc. - poderá e deverá ser muito diversificado, situando-se a temática abordada pelo Prof. Ingold num cruzamento imenso de saberes que passa pelo questionamento da relação natureza/cultura, e todas as dicotomias suas derivadas, muito típica do pensamento ocidental dos últimos séculos;
- a ordem das intervenções será a própria ordem dos 23 capítulos que compõem o livro;
- poderão participar também sócios da ADECAP como auditores (no caso de não serem intervenientes, é claro); o número de lugares será limitado aos condicionalismos da sala (esse e outros aspectos logísticos serão ainda a definir)
A página da ADECAP é: http://www.gt.estt.ipt.pt/adecap/
- tal seminário será gratuito, mas também sem quaisquer encargos (logísticos ou outros) para a ADECAP, além dos decorrentes da concepção/divulgação/ organização pré-encontro;
- pede-se naturalmente aos participantes a máxima qualidade da sua intervenção, e a autorização para a possibilidade de se vir a publicar, pela melhor via a definir, o(s) resultado(s) mais substancial(ais) e inovador(es) do seminário (poderá ser apenas o debate final), permitindo os participantes que a ADECAP, ou qualquer outra entidade idónea com que ela contrate (sempre sem objectivos lucrativos, mas apenas de divulgação científico-cultural, tão ampla quanto possível), venha a editar esse resultado, sob forma de livro ou em qualquer outro suporte que se julgue adequado;
- cada participante fará uma curta exposição crítica de meia hora sobre um dos capítulos do livro, resumindo-o e dizendo o que pensa do mesmo;
- no fim, haverá um debate geral interdisciplinar, podendo, se o calendário assim o permitir, haver ainda debates intercalares mais curtos.


Condições de propositura:

1º Os colegas (investigadores, professores, estudantes de doutoramento ou pós-graduação) que desejem participar activamente neste seminário deverão em primeiro ligar conhecer bem a obra em causa e propor a sua intervenção pessoal sobre um dos respectivos capítulos;
2º Essa proposta será feita por mail para: vojsoj@sapo.pt, acompanhada de um breve curriculum vitae em formato RTF (attachment), pedindo-se que a enviem mal seja possível, e que nos chegue até 15 de Setembro de 2004;
3º Ao seminário, como se disse, deverão propor-se pessoas de áreas das ciências humanas e sociais, incluindo a filosofia, das ciências biológico – naturais, e, de uma maneira geral, de outras formações, que sintam aquela obra como interessante para justificar o seu máximo empenho no conteúdo do debate e no êxito da iniciativa;
4º No caso de haver mais do que um interessado no mesmo capítulo poderá considerar-se a hipótese de haver duas exposições sobre o mesmo ou, em alternativa, se sugerir a uma das pessoas um outro capítulo ainda “em aberto”;
5º A ADECAP designará um conjunto de 6 especialistas de diferentes matérias para coadjuvar o coordenador na organização dos conteúdos e propostas;
6º Dada a composição dos intervenientes não ser feita por convite, mas aberta a propostas, a ADECAP reserva-se, consultado aquele conjunto de especialistas, o direito de não aceitar uma proposta por manifestas razões científicas explicitadas a(o) interessado(a);
6º Ate 15 de Outubro de 2004 a ADECAP comunicará o programa definitivo a todos os participantes, incluindo toda a informação de que disponha sobre o encontro que seja pertinente para cada participante poder balizar melhor a sua intervenção.





Agradece-se desde já a todos os colegas que adiram a esta iniciativa, para a qual solicitamos a melhor atenção da comunidade científica em geral.
Agradece-se também a todas as instâncias interessadas a máxima divulgação na comunidade científica desta notícia, com o fim de se obterem as melhores sinergias possíveis entre as diferentes intervenções.
Sendo uma realização mais voltada para o debate entre pares do que para o público (embora, como se disse, ele possa estar presente dentro de condicionalismos, a explicitar melhor em próximo comunicado) o seu êxito medir-se-á não pelo eco social ou de número de pessoas directamente presente, mas pela qualidade intrínseca da reflexão produzida, e eventual obra que dela venha a resultar.


O local de realização do seminario*, a composicao daquele "conselho" ad hoc de especialistas, e outros detalhes serão comunicados brevemente aos participantes, logo que o elenco dos mesmos esteja definido.

Grato pela vossa atencao


Cordiais saudações do

Vítor Oliveira Jorge
Professor catedrático do DCTP - Arqueologia,
Universidade do Porto
Presidente da direcção da ADECAP
25 de Abril de 2004, Dia da Liberdade



____________

*Foi na Fundação Eng. António de Almeida, Porto

Estatutos da ADECAP

ASSOCIAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA
COOPERAÇÃO EM ARQUEOLOGIA
PENINSULAR-ADECAP


E S T A T U T O S

CAPÍTULO I

Artigo 1º
(Natureza, denominação, duração e sede)
1 – É constituida, a partir de hoje e por tempo indeterminado, uma associação de investigação científica, cultural e profissional, sem fins lucrativos, denominada “Associa¬ção para o Desenvolvimento da Cooperação em Arqueologia Peninsular”, abrevia¬da¬mente designada por ADECAP.
2 – A ADECAP tem a sua sede na Rua Aníbal Cunha, 39-3º, Sala 7, 4050 Porto, podendo ser alterada por deliberação da Assembleia Geral e criar delegações em qualquer localidade do território nacional.
3 – A ADECAP poderá filiar-se, associar-se ou aderir a organismos afins nacio¬nais ou internacionais, estabelecendo laços preferenciais com organismos afins da vizinha Es¬pa¬nha.

Artigo 2º
(Objecto e fins)
1 – A ADECAP tem por objectivos a promoção e o desenvolvimento da actividade de investigação científica, cultural e profissional no campo da arqueologia, colaborando com organismos, empresas e instituições universitárias e não universitárias, públicas ou privadas.
2 – Para a prossecução dos seus objectivos constituem atribuições principais da ADECAP:
a) A promoção de Congressos de Arqueologia Peninsular que se realizem em Portugal;
b) A promoção de acções conjuntas luso-espanholas no domínio da Arqueologia, nomeadamente colóquios, mesas-redondas, trabalhos de campo e outros estudos e publicações, tendo em vista incrementar o desenvolvimento da Arqueologia nos aspectos que interessam fundamentalmente a Portugal e Espanha, nomeadamente em áreas transfronteiriças;
c) A permuta de informações com outras instituições afins.

Artigo 3º
A ADECAP rege-se pelos presentes estatutos, pela lei geral aplicável e supletivamente por regulamentos internos e pelas disposições particulares que, caso a caso, forem estabelecidas em convénios e protocolos celebrados entre a associação e outras instituições.

CAPÍTULO II

Artigo 4º
(Associados)
1 – Os associados, pessoas singulares ou colectivas agrupam-se em três categorias:
a) Associados Fundadores;
b) Associados Aderentes;
c) Associados Honorários.

2 – São associados fundadores os que intervêm na escritura de constituição da associação e os admitidos no prazo de dois anos após a sua constituição.
3 – São associados aderentes as pessoas colectivas ou individuais a quem a Assem¬bleia Geral, por iniciativa própria ou sob proposta da Direcção atribua tal categoria.
4 – A ADECAP e os seus associados poderão definir, em protocolo, formas específicas de colaboração no âmbito das suas atribuições.
5 – São associados honorários, personalidades ou instituições, a quem a Assembleia Geral, sob proposta da Direcção, atribua tal estatuto de honra pelo valor científico de trabalhos prestados ou pela colaboração também prestada à ADECAP.

Artigo 5º
(Direitos dos associados)
1 – Constituem direitos dos associados:
a) Eleger e serem eleitos para os órgãos da associação, nos termos destes estatutos;
b) Tomar parte e votar na Assembleia Geral, elegendo a respectiva mesa;
c) Requerer a convocação das assembleias gerais extraordinárias, nos termos do número três do artigo décimo primeiro;
d) Apresentar sugestões relativas à realização dos objectivos estatutários;
e) Participar nas actividades da ADECAP e usufruir de todas as regalias que ela proporcione nos termos regulamentares;
f) Solicitar aos órgãos sociais as informações e esclarecimentos que tiverem por convenientes sobre a condução das actividades da associação, nomeadamente, ser informado dos resultados que esta levou a cabo;
g) Examinar as contas, documentos e livros relativos às actividades da ADECAP nos oito dias que antecedem a Assembleia Geral;
h) Utilizar nos termos regulamentares, os serviços que a ADECAP ponha à sua disposição.
2 – Os associados honorários apenas usufruem dos direitos consagrados nas alíneas d) e f) do número anterior, bem como tomar parte, sem direito a voto, nas Assembleias Gerais.

Artigo 6º
(Deveres dos associados)
1 – Constituem deveres dos associados:
a) Contribuir para o prestígio da ADECAP, fomentando por todos os meios ao seu alcance o seu programa de desenvolvimento;
b) Exercer os cargos para que forem eleitos ou designados, salvo motivo especial de escusa reconhecidamente impeditivo;
c) Cumprir e fazer cumprir diligentemente as obrigações estatutárias e regulamentares e as deliberações dos órgãos sociais;
d) Pagar com regularidade as contribuições e quotas fixadas pela Assembleia Geral;
e) Participar em geral nas actividades da ADECAP, cumprir os programas de trabalho definidos, bem como manter a assiduidade exigida no regulamento.
2 – O associados honorários apenas estão vinculados ao cumprimento do dever estabelecido na alínea c) do número anterior.

Artigo 7º
(Perda da qualidade de associado)
1 – Perdem a qualidade de associado:
a) Os que por escrito, o solicitarem à Direcção;
b) Os interditos, falidos ou insolventes;
c) Os que pela sua conduta contribuam ou concorram deliberadamente para o descrédito ou prejuízo da associação;
d) Os que de forma reiterada desrespeitem os deveres estatutários, regulamentares, ou ilegitimamente desobedeçam às deliberações legalmente tomadas pela ADECAP.
2 – A exclusão de um associado é sempre deliberada pela Assembleia Geral, por iniciativa própria ou sobre proposta fundamentada da Direcção, exigindo-se o voto favorável de dois terços dos associados presentes.

CAPÍTULO III
Órgãos Sociais

Secção I
Disposições comuns

Artigo 8º
(Órgãos)
1 – São órgãos sociais da ADECAP:
a) A Assembleia Geral;
b) A Direcção;
c) O Conselho Fiscal.
2 – A ADECAP poderá dispor ainda de um Conselho Consultivo.
3 – A mesa da Assembleia Geral, a Direcção e o Conselho Fiscal são eleitos em Assembleia Geral pelos associados, para o desempenho de um mandato de dois anos.
4 – A posse dos membros integrantes daqueles órgãos é dada pelo presidente da mesa da Assembleia Geral, mantendo-se os cessantes ou demissionários em exercício de funções até que aquela se verifique.

Secção II
Assembleia Geral

Artigo 9º
(Natureza e Composição)
A Assembleia Geral é constituída por todos os associados no gozo dos seus direitos associativos e as suas deliberações são soberanas, tendo apenas por limite as disposições imperativas da lei e dos presentes estatutos.

Artigo 10º
(Mesa)
1 – A Assembleia Geral é dirigida por uma mesa composta por um presidente, um vice-presidente e um secretário, eleitos de entre os seus associados.
2 – Ao presidente da mesa compete convocar e dirigir os trabalhos da Assembleia, no que será coadjuvado pelo secretário.
3 – Compete ao vice-presidente substituir o presidente nas suas faltas e impedimentos.
4 – Ao secretário compete redigir a acta ou minuta da acta das sessões.
5 – Na falta ou impedimento do secretário, será o mesmo substituído por quem a Assembleia na altura designar.
6 – Faltando a totalidade dos membros da mesa, a Assembleia Geral elegerá uma mesa “ad hoc” para a respectiva sessão ou reunião.

Artigo 11º
(Reuniões)
1 – A Assembleia Geral pode reunir ordinária e extraordinariamente.
2 – A Assembleia Geral reunirá ordinariamente uma vez por ano, até trinta e um de Março, para discutir e votar o relatório e contas da Direcção, bem como o parecer do Conselho Fiscal e aprovar, sob proposta da Direcção, o plano de actividades e orçamento.
3 – A Assembleia Geral reunirá extraordinariamente sempre que for convocada por iniciativa do seu presidente ou a pedido da Direcção, do Conselho Fiscal, ou por uma quinta parte dos associados.

Artigo 12º
(Convocação)
1 – A convocatória para a Assembleia Geral é feita por aviso postal, expedido para cada um dos associados com pelo menos oito dias de antecedência, dele devendo constar o local, dia, hora e ordem de trabalhos.
2 – Só poderão ser tomadas deliberações sobre assuntos que constem da respectiva ordem de trabalhos, salvo se, estando presentes todos os associados, estes deliberem, por unanimidade, a inclusão de qualquer outro assunto.

Artigo 13º
(Representação)
É admissível a representação de um associado por outro associado, mediante carta dirigida ao presidente da mesa da Assembleia Geral.

Artigo 14º
(Quorum)
1 – A Assembleia Geral não pode deliberar, em primeira convocação, sem a presença de metade pelo menos dos seus associados; em segunda convocação a Assembleia Geral poderá deliberar com qualquer número de associados.
2 – As duas convocações poderão constar do mesmo aviso postal, não sendo, todavia, lícito realizar a segunda reunião antes de decorrida meia hora sobre a hora marcada para a primeira.
3 – As deliberações são tomadas por maioria absoluta de votos dos associados presentes, excepto nos casos previstos nestes estatutos e na lei.

Artigo 15º
(Competências)
À Assembleia Geral compete:
a) Apreciar e votar o relatório e contas da Direcção bem como o parecer do Conselho Fiscal relativo aos respectivos exercícios;
b) Eleger e destituir a mesa da Assembleia Geral, a Direcção e o Conselho Fiscal;
c) Interpretar os presentes estatutos, aprovar os regulamentos necessários e decidir sobre os casos omissos;
d) Apreciar e votar o programa de actividades anual e os planos plurianuais, bem como o orçamento anual e orçamentos suplementares se os houver;
e) Fixar as jóias e as quotas dos associados;
f) Deliberar, sob proposta da Direcção, a admissão de associados ou a sua exclusão;
g) Outorgar a qualidade de associado honorário, às individualidades ou instituições que considere merecedoras de tal distinção, mediante proposta da Direcção;
h) Deliberar sobre todos os assuntos que lhe forem apresentados pela Direcção e pelos membros com base nas disposições estatutárias;
i) Deliberar sobre a dissolução da associação, nos termos do artigo vigésimo sexto;
j) Conceder autorização para a alienação dos bens imóveis;
k) Alterar os estatutos nos termos do artigo vigésimo quinto;
l) Deliberar sobre aceitação de legados, doacções, subscrições e donativos.

Secção III
Direcção

Artigo 16º
(Composição)
1 – A Direcção é o órgão executivo da ADECAP e é constituida por três membros, um presidente, que será sempre um associado fundador, um vice-presidente e um secre¬tário.
2 – Compete ao vice-presidente, substituir o presidente da Direcção nas suas faltas e impedimentos.

Artigo 17º
(Reuniões)
1 – A Direcção reunirá ordinariamente uma vez por mês e extraordinariamente por iniciativa do seu presidente ou a requerimento do vice-presidente, competindo ao presidente a respectiva convocação.
2 – As deliberações são tomadas por maioria dos membros presentes, tendo o presidente, além do seu voto, voto de qualidade em caso de empate.

Artigo 18º
(Competências)
1 – À Direcção compete exercer todos os poderes necessários à execução das actividades que se enquadrem nas finalidades da ADECAP e, designadamente as seguintes:
a) Administrar os bens da associação e dirigir a sua actividade podendo para o efeito, contratar pessoal e colaboradores, fixando as respectivas condições de trabalho e exercer a respectiva disciplina;
b) Representar a associação em juízo ou fora dele, na pessoa do seu presidente;
c) Constituir mandatários, os quais obrigarão a associação de acordo com a extensão dos respectivos mandatos;
d) Apresentar anualmente à Assembleia Geral os planos e os relatórios de actividades bem como as contas de gerência;
e) Dirigir o serviço de expediente e tesouraria;
f) Elaborar regulamentos internos, para posterior aprovação pela Assembleia Geral;
g) Requerer a convocação da Assembleia Geral;
h) Nomear comissões para o estudo ou execução dos objectivos e meios de acção da associação;
i) Propor a admissão de novos associados;
j) Nomear o Conselho Consultivo;
k) Organizar congressos, colóquios, seminários e outras acções que não estando previstas nas actividades mencionadas nos números anteriores se mostrem convenientes para a prossecução dos objectivos da associação.
2 – A ADECAP obriga-se pelas assinaturas conjuntas de dois membros da Direcção, assim como pela assinatura de um único mandatário com poderes para certa ou certas espécies de actos.
3 – A Direcção poderá delegar em funcionários poderes para a prática de actos de mero expediente.

Secção IV
Conselho Fiscal

Artigo 19º
(Composição)
O Conselho Fiscal é constituido por um presidente, um relator e um vogal.

Artigo 20º
(Competências)
1 – Compete ao Conselho Fiscal, examinar as contas da ADECAP e apresentar o respectivo parecer à Assembleia Geral.
2 – O Conselho Fiscal tem o direito de examinar os livros e documentos de escrituração, os quais lhe serão facultados pela Direcção, sempre que solicitados.

Artigo 21º
(Reuniões)
1 – O Conselho Fiscal reunirá ordinariamente uma vez por semestre e extraordinariamente a pedido do seu presidente, da Direcção ou de dois dos seus membros, cabendo ao presidente do Conselho Fiscal a respectiva convocação.
2 – As deliberações do Conselho Fiscal são tomadas por maioria dos membros presentes, tendo o seu presidente, além do seu voto, voto de desempate.

Secção V
Conselho Consultivo

Artigo 22º
(Composição e Reuniões)
1 – O Conselho Consultivo é constituido por um mínimo de sete membros e um máximo de onze, de reconhecido mérito científico-cultural, a nomear pela Direcção.
2 – O Conselho Consultivo reunirá por iniciativa do seu presidente, da maioria dos seus membros ou a pedido da Direcção, sendo as reuniões convocadas pelo Presidente.

Artigo 23º
(Competências)
1 – Compete ao Conselho Consultivo dar apoio à Direcção sobre matérias de índole científico-cultural, emitindo pareceres e recomendações.
2 – Os membros do Conselho Consultivo poderão participar nas Assembleias Gerais, sem direito a voto.

CAPÍTULO IV

Artigo 24º
(Património e Fundos)
1 – O património da associação é constituido por todos os seus bens e pelos direitos que sobre eles possam recair.
2 – Constituem fundos da associação:
a) As quotizações e contribuições dos associados;
b) Subsídios atribuídos;
c) O produto da venda de publicações e quaisquer receitas correspondentes a actividades organizadas pela associação;
d) Doacções e outras liberalidades;
e) Quaisquer outras receitas cuja percepção não esteja proibida por lei.

CAPÍTULO V
(Disposições Finais e Transitórias)

Artigo 25º
(Alteração dos estatutos)
1 – Os presentes estatutos só podem ser alterados em Assembleia Geral extraordinária reunida para esse fim.
2 – As deliberações da Assembleia Geral sobre alterações dos estatutos exigem o voto favorável de três quartos do número dos associados presentes.

Artigo 26º
(Dissolução)
1 – A ADECAP pode ser dissolvida mediante deliberação favorável da Assembleia Geral expressamente convocada para esse fim.
2 – A deliberação sobre a dissolução requer o voto favorável da maioria de três quartos do número total dos associados.
3 – Dissolvida a associação, a Assembleia Geral deverá nomear imediatamente a comissão liquidatária, definindo o seu estatuto e indicando o destino do activo líquido se houver, ressalvado o disposto no nº 1 do artigo 166º do Código Civil.

Artigo 27º
1 – Enquanto não forem eleitos os membros dos órgãos sociais a gestão corrente da ADECAP será assegurada por uma Comissão Instaladora podendo fixar provisoriamente o montante das jóias e quotas dos associados.
2 – No prazo máximo de cento e oitenta dias reunirá a Assembleia Geral Eleitoral para efeitos de realização dos actos eleitorais referidos no número anterior.
3 – Os assuntos não tratados nestes estatutos e os casos omissos serão regulados pelas disposições legais em vigor sobre associações e pela Assembleia Geral.